Por Aline Ferreira
Participar do Automation & Process 2026 foi aquele tipo de experiência que faz a gente parar e refletir não só sobre o que está mudando no mercado, mas principalmente sobre o que, no fundo, continua sendo essencial. Foram três dias intensos, com muito conteúdo, conversas e trocas com empresas grandes, de diferentes setores e níveis de maturidade. E, no meio de tudo isso, uma coisa ficou muito clara para mim: A tecnologia avançou muito, mas a base ainda é a mesma.
Praticamente todas as empresas que passaram pelo evento estão olhando para automação, IA, orquestração de alguma forma e isso já não é mais novidade. Vejo que a diferença está em outra coisa, enquanto algumas estão conseguindo transformar isso em resultado, outras ainda estão patinando. E o motivo, na maioria das vezes, está na falta de estrutura.
Pessoas: o ponto mais importante (e mais subestimado)
Teve um momento que me chamou muita atenção que a discussão saiu um pouco da tecnologia e foi para cultura, liderança, pessoas. E pra mim isso faz muito sentido porque no fim do dia, não são as ferramentas que fazem a transformação acontecer, são as pessoas.
Um exemplo que eu achei muito forte foi inclusive, de um dos nossos cases, da própria Atlântica Hospitality International. Eles estão começando um movimento de levar pessoas das áreas para entender como os processos acontecem dentro dos hotéis, na prática.
Porque quando você entende o processo de verdade:
- você para de criar soluções desconectadas
- você reduz atrito entre áreas
- você melhora a qualidade das decisões
- e o resultado começa a aparecer
Transformação vai muito além de implementar algo novo, é sobre alinhar entendimento também. Inclusive, isso não é só percepção de mercado. Segundo a McKinsey, menos de 30% das transformações digitais alcançam sucesso pleno, justamente por falhas na estrutura organizacional, nos processos e na forma como as pessoas são envolvidas.
Processo não é o que sustenta o resultado.
Outro ponto que apareceu o tempo todo no evento foi processo, mas não no sentido burocrático, como base mesmo. As empresas que estão mais avançadas têm algo em comum:
- sabem como seus processos funcionam
- têm clareza do fluxo
- têm indicadores
- têm governança
Pode parecer simples, mas muita empresa ainda tenta automatizar sem ter isso resolvido, e aí acontece o óbvio, a tecnologia acaba acelerando o problema.

Tecnologia é meio
Falou-se muito de IA, agentes, automação, plataformas, mas o interessante é que ninguém tratou isso como solução mágica, muito pelo contrário, em vários momentos ficou claro que, sem estrutura, essas tecnologias podem até gerar mais risco do que resultado. E isso faz todo sentido porque quanto mais avançada a tecnologia, mais preparada a operação precisa estar.
Acho que um dos maiores aprendizados deste evento foi que o mercado amadureceu, as empresas já entenderam que precisam automatizar, mas agora estão começando a perceber que isso, sozinho, não resolve e o que realmente faz diferença é a combinação:
- pessoas que entendem o que estão fazendo
- processos bem estruturados
- tecnologia aplicada com propósito
Empresas precisam se preparar para a tecnologia muito antes da ferramenta, e o resultado vai depender de como ela organiza sua operação.